quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Imagem


I
Sonhos agonizam quimeras a
claridade da idéia
reconhece no vago
o gesto memorial
a claridade quimérica reconstitui
a meia noite tolerada em trevas
Liberta o lampejo
produz a aparição
cintila o reflexo
o fogo obscuro

Diamante que
extirpa o relógio
formula o eterno da noite
ecoa o sobrevivente da sombra
faz a metamorfose dúbia de criar os dias
através da percepção
pêndulo que brilha e vai
expirar a si mesmo.

II
Quimera
princípio do ser indivíduo

Se perder nas escadas
descendo aos equívocos da mente
subindo a cavalo pelo corrimão do olho
fixando nuvens atravessando
a janela
é dela
o ruído total
tomando seu passado despojadamente
rompendo a dúvida
pancada ouvida de um lado a outro perdurando o movimento
preenchendo confusamente
a queda
como se fosse a única
última
te abafando:
visitante da certeza sem retorno
vestígio incerto
advindo a afirmação
reminiscências do vazio prolongado a choques
de claridade
surge a visão além da queda
interrompida
nada mais é ouvido
a ação é o bater de asas desordenadas e difícil de conter.


III
Recolher toda poeira secular
missão do meu hálito
dádiva da passagem
fricção contínua que agita asas superando o vôo
debelando o gênio
mirando em si próprio
retendo ciências nas mãos
pesando o volume de suas noites
juntando coisas por trás de si
domando os equívocos
explorando a simetria das deduções
a debatidura consciente
Ela se apresenta igualmente numa face luzente
conservada em ti a séculos
do vazio
do ruído deste logo que desfecha
ao pé do ouvido
pulsação do próprio coração
O absurdo
próprio local de seu êxito

Soou a hora de partir
de consumar o personagem
além do espelho que leva a ti
sonho que agonizou
frasco de pureza
concretizará a substância simples do nada.

Recriando um olhar perante o abjeto


redirecionando o olhar
contrariando o cinza imposto
sugerindo uma nova forma de enxergar e interagir a cidade.
desempenhando a força poética contida nas coisa insignificantes

Pça do Maracatu
Sumaré
levando a estética relacional as últimas consequências.

um fundir necessário a vida:



OLHAR PARA BAIXO

Aprendo mais com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
é um olhar para ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado, como uma
barata - cresce de importância para o meu
olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades
machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão -
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.

MANOEL DE BARROS

Fusão literatura e pintura


um resgate a poesia da vida
resgatando o olhar poético perante a cidade.

Emergência do olhar


Uma espécie de apelo
uma nova criação do olhar

Mais valia


Trabalho que fiz e dei para minha mãe que vinha de uma faze de trabalhar muito.
é uma espécie de totem, amuleto que mostra além do que lhe é imposto,
na espectativa de desempenhar a função de abrir o olho e atrair coisas que realmente a sustente além do monolíto imposto a nós diáriamente.

uma poesia para ilustrar o quadro

Antigamente

A frase escrita no teto
“Quem não trabalha não come”
Atualmente
A frase escrita nas pálpebras
Sonho
A mão de obra atual
Lei dos pobres e pobres
Ferro quente
Corta-se a orelha
Vira-se escravo
Agora
Se vira escravo